A vitamina K ficou conhecida pelo papel na coagulação — a letra vem de Koagulation, em alemão. Mas existe uma segunda família dentro dessa vitamina, com função bem diferente, que só ganhou atenção nas últimas décadas.
K1 e K2 não são a mesma coisa
A vitamina K1 (filoquinona) vem de folhas verdes — couve, espinafre, brócolis. É a forma predominante na alimentação e vai principalmente para o fígado, onde participa da coagulação.
A vitamina K2 (menaquinona) vem de alimentos fermentados e de produtos de origem animal. Distribui-se mais para tecidos fora do fígado, como ossos e paredes dos vasos. É essa distribuição que a torna objeto de estudo próprio.
O que a K2 faz
A vitamina K2 é cofator de uma enzima que faz a carboxilação de proteínas dependentes de vitamina K. Duas delas concentram o interesse da pesquisa:
- Osteocalcina: produzida pelas células ósseas, participa da incorporação do cálcio à matriz do osso. Precisa ser carboxilada para exercer essa função.
- Proteína GLA da matriz (MGP): presente na parede dos vasos, atua inibindo a deposição de cálcio onde ele não deveria se depositar.
Daí a forma como o tema costuma ser resumido: a K2 está envolvida na destinação do cálcio. É uma simplificação, mas captura bem o mecanismo.
MK-4 e MK-7: a diferença que importa
As menaquinonas variam no comprimento da cadeia lateral, e isso muda o comportamento no organismo.
- MK-4: meia-vida curta, de poucas horas. Exige doses maiores e mais tomadas ao dia.
- MK-7: meia-vida de vários dias. Mantém concentração estável com uma dose diária, em quantidade bem menor. É a forma usada na maioria dos suplementos e a mais estudada em ensaios de longa duração.
Um detalhe técnico que aparece nos rótulos melhores: a MK-7 existe nas formas all-trans e cis. Apenas a all-trans é biologicamente ativa. Fabricantes cuidadosos declaram o percentual.
Fontes alimentares
O natto — soja fermentada tradicional japonesa — é de longe a fonte mais concentrada de MK-7. Fora dele, aparecem em quantidades menores em queijos maturados, gema de ovo e fígado. Para quem não come natto, a ingestão alimentar tende a ser baixa.
Por que aparece junto da vitamina D
A combinação é comum e tem lógica: a vitamina D aumenta a absorção intestinal do cálcio, e a K2 participa dos mecanismos que direcionam esse cálcio. As duas também são lipossolúveis, o que favorece a mesma forma de administração, junto de uma refeição com gordura.
O que observar no rótulo
- Forma declarada: MK-7 ou MK-4
- Percentual de all-trans, quando informado
- Quantidade em microgramas por dose
- Origem: fermentação natural ou síntese
- Se está em base oleosa, o que ajuda na absorção
Perguntas frequentes
Quem usa anticoagulante pode tomar?
Esta é a contraindicação mais importante do assunto. Anticoagulantes antagonistas da vitamina K, como a varfarina, têm ação diretamente ligada a ela. Alterar a ingestão sem acompanhamento médico interfere no tratamento. Não decida sozinho.
Qual o melhor horário?
Junto de uma refeição que contenha gordura, por ser lipossolúvel.
Existe exame para avaliar?
Existem marcadores usados em pesquisa, como a osteocalcina não carboxilada, mas não são exames de rotina. A avaliação costuma ser clínica.
